Contratar empregada doméstica sem entrevistar é receita para frustração dos dois lados. Este guia traz as 15 perguntas essenciais em 2026, organizadas em 4 blocos (experiência, escopo de trabalho, rotina, compatibilidade), com modelo de ficha para organizar as respostas e checklist do que observar além das palavras.
Antes da entrevista: 3 coisas a preparar
- Defina o escopo exato da função — limpeza, cozinha, lavanderia, cuidado com crianças/pets/idosos. Seja específico para evitar acúmulo de funções depois
- Defina a proposta — salário, horário, folga, benefícios, vale-transporte, regras da casa
- Imprima ou prepare uma ficha para registrar as respostas. Entrevistar 4-5 candidatas sem ficha = memória confusa e decisão ruim
Bloco 1: Experiência profissional (4 perguntas)
1. Quanto tempo de experiência você tem com trabalho doméstico?
O que avaliar: experiência relevante, não só tempo total. Alguém com 3 anos em casas similares à sua pode valer mais que 10 anos em contextos diferentes.
2. Quais foram seus últimos 3 empregos? Por quanto tempo em cada um e por que saiu?
O que avaliar: rotatividade alta é sinal de alerta. Saídas bem explicadas (mudança de cidade, fim de contrato, melhoria salarial) são OK. Várias saídas por “problemas com a família” exigem cuidado.
3. Pode me passar 2 referências das últimas famílias com quem trabalhou?
O que avaliar: peça nome e telefone — e realmente ligue. Referências forjadas são comuns, e poucos contratantes ligam de fato.
4. Tem cursos ou certificações específicas?
O que avaliar: primeiros socorros, limpeza profissional, cozinha, cuidado infantil agregam valor real ao serviço.
Bloco 2: Escopo de trabalho (4 perguntas)
5. Você sabe executar todas as tarefas que mencionei?
O que avaliar: se precisa de algo específico — passar, lavar edredons, limpar vidros altos, usar produtos especiais — pergunte diretamente. Evita surpresa no primeiro mês.
6. Tem alguma limitação física ou restrição médica?
O que avaliar: alergias a produtos, problemas de coluna, gestação. Informação importante para ajustar tarefas e proteger ambos os lados.
7. Aceita trabalhar com [pet/criança/idoso]?
O que avaliar: se sua casa tem pet, criança pequena ou idoso, algumas candidatas preferem não trabalhar. Melhor descobrir agora que depois.
8. Como organiza seu tempo entre as tarefas?
O que avaliar: resposta revela método, experiência real e capacidade de priorização. Quem só dá resposta genérica geralmente improvisa.
Bloco 3: Rotina e disponibilidade (4 perguntas)
9. Qual sua disponibilidade de horários e dias da semana?
O que avaliar: confirme se bate com a necessidade da casa. Não negocie nesse ponto — divergência aqui vira problema constante.
10. Onde mora e quanto tempo leva até aqui?
O que avaliar: mais de 1h30 por trecho gera atrasos crônicos e desgaste. Calcule também o vale-transporte (custo seu, obrigatório por lei).
11. Tem filhos? Eles dependem do seu horário?
O que avaliar: não é pergunta sobre vida privada. É avaliar estabilidade da presença dela no trabalho — quem precisa pegar filho na escola às 17h não pode ficar até as 20h.
12. Qual sua pretensão salarial?
O que avaliar: anote o número dela e compare com o piso regional (R$ 1.621 federal, R$ 1.804 SP) + o que você planejou pagar. Diferença grande indica desalinhamento.
Bloco 4: Compatibilidade com a família (3 perguntas)
13. Prefere receber instruções detalhadas ou trabalhar com autonomia?
O que avaliar: revela perfil. Alinhe com seu estilo — quem prefere autonomia se frustra com micro-gestão; quem prefere instruções se perde sem direcionamento.
14. Como reage quando algo não sai como esperado ou quando há crítica?
O que avaliar: teste emocional importante. Candidatas que reagem defensivamente a essa pergunta hipotética geram atrito constante na convivência real.
15. O que mais te motiva no trabalho doméstico?
O que avaliar: abertura para conhecer valores e expectativas. Quem responde com estabilidade e gosto por organizar/cuidar costuma ter mais permanência.
Modelo de ficha para organizar
Tenha uma ficha por candidata com estes campos:
- Nome completo, idade, escolaridade
- Endereço e tempo de deslocamento
- Pretensão salarial
- Disponibilidade de horários
- Experiência (anos + últimas 3 empresas/famílias)
- Referências (nome + telefone — preencha se ligou e o que confirmou)
- Cursos ou certificações
- Restrições físicas ou preferências
- Impressão geral (pontualidade na entrevista, apresentação, postura, clareza na comunicação)
- Status final: aprovada / em dúvida / reprovada
O que observar além das respostas
O que a candidata diz é metade da informação. O resto vem do que você observa durante a entrevista.
- Pontualidade na entrevista — previsão direta de pontualidade no trabalho
- Apresentação (roupa limpa e arrumada, postura) — não é sobre beleza, é sobre cuidado com a própria apresentação
- Clareza na comunicação — se trava em perguntas simples ou dá respostas muito evasivas
- Contato visual e atitude — defensiva demais ou excessivamente tímida podem gerar problemas de relacionamento
- Reação às regras — se questiona pontos críticos ou concorda com tudo sem pensar
Passos pós-entrevista (antes de contratar)
- Ligue para as referências — faça perguntas específicas: “você a recontrataria?”, “por que ela saiu?”, “qual era o maior ponto forte?”
- Verificação de antecedentes criminais e processuais — plataformas como o Famyle fazem isso automaticamente
- Período de experiência de 90 dias no contrato — permite rescisão simplificada se não funcionar
- Combinado por escrito — escopo, horários, salário, benefícios, regras da casa, política de feriados e faltas
Nunca contrate na primeira candidata, mesmo que pareça perfeita. Entreviste pelo menos 3 a 5 pessoas — você só consegue avaliar bem uma candidata quando tem com o que comparar.
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