Quando bate a necessidade de contratar uma empregada doméstica, uma babá ou uma diarista, a primeira ideia costuma ser a mesma: procurar uma agência. Parece o caminho seguro — alguém filtra os currículos, apresenta candidatas e resolve. Mas antes de pagar qualquer taxa, vale entender o que a agência realmente faz, o que ela não faz (e muita gente descobre tarde) e como esse modelo se compara ao app e à indicação de conhecidos.
Como funciona uma agência de empregada doméstica
Existem dois modelos bem diferentes sendo chamados de “agência”, e confundir os dois é o erro mais caro que você pode cometer:
- Agência de colocação (intermediação): ela recruta, entrevista e apresenta candidatas. Quem contrata, registra e paga a profissional é você. A agência cobra uma taxa pela indicação e sai da relação.
- Empresa prestadora de serviço (ex.: empresa de limpeza): a profissional é funcionária da empresa. Você contrata o serviço, recebe uma nota fiscal e não registra ninguém. Em compensação, você não escolhe quem vai, e o valor da hora costuma ser bem mais alto.
A maior parte das “agências de babá” e “agências de doméstica” do mercado é do primeiro tipo: intermediação. E isso muda tudo na conta.
O ponto que quase ninguém explica: quem é o empregador
Pela Lei Complementar 150/2015 (a Lei do Empregado Doméstico), empregado doméstico é quem presta serviço à pessoa ou à família, no âmbito residencial. Ou seja: quando a profissional trabalha na sua casa, com continuidade e subordinação, o empregador é você — não a agência que fez a apresentação.
Na prática, isso significa que continuam sendo sua responsabilidade:
- Registro em carteira e cadastro no eSocial Doméstico;
- Pagamento mensal do DAE, a guia unificada que reúne INSS patronal (8%), FGTS (8%), o depósito compensatório de 3,2% (a multa rescisória antecipada) e o seguro contra acidentes de trabalho (0,8%), além do INSS da profissional retido em folha;
- Jornada dentro do limite de 8 horas diárias e 44 semanais, com horas extras e adicional noturno de 20% quando houver;
- Férias, 13º salário e verbas rescisórias no fim do contrato.
Some tudo: os encargos do empregador ficam em torno de 20% sobre o salário, e nenhum deles deixa de existir porque a contratação passou por uma agência. A taxa da agência é um custo a mais, não um custo que substitui os outros.
E no caso da diarista?
A diarista que trabalha até dois dias por semana na mesma casa é considerada autônoma, sem vínculo empregatício — entendimento já consolidado na Justiça do Trabalho. A partir de três dias por semana na mesma residência, a continuidade caracteriza vínculo e a contratação vira registro em carteira, com todos os encargos acima. Esse limite vale independentemente de quem apresentou a profissional.
Agência, app ou indicação: comparando os três caminhos
| Agência de colocação | App / plataforma | Indicação de conhecidos | |
|---|---|---|---|
| Custo de encontrar | Taxa de intermediação (varia muito; pergunte antes) | Publicar a vaga é grátis na Famyle | Zero |
| Quantidade de candidatas | Limitada ao cadastro da agência | Ampla, filtrada por cidade e categoria | Uma ou duas, quando aparece |
| Velocidade | Depende da fila da agência | Candidaturas em horas ou poucos dias | Imprevisível |
| Quem escolhe | A agência filtra, você aprova | Você vê os perfis e decide | Você, sem comparação |
| Quem é o empregador | Você | Você | Você |
| Reposição se não der certo | Às vezes há garantia — confirme por escrito | Nova busca, sem custo adicional | Recomeçar do zero |
Repare na linha mais importante: em todos os cenários o empregador é você. O que muda é quanto você paga para chegar até a profissional, quantas opções consegue comparar e em quanto tempo.
7 perguntas para fazer à agência antes de assinar qualquer coisa
- Qual é exatamente o valor da taxa e como ela é calculada? Valor fixo, percentual do salário ou múltiplo do primeiro mês — peça por escrito.
- A taxa é cobrada de mim ou da profissional? Desconfie de qualquer arranjo que cobre da trabalhadora para conseguir a vaga.
- Existe garantia de reposição? Por quantos dias, quantas substituições, e o que anula a garantia.
- O que foi checado nesta candidata? Documentos, referências de casas anteriores, experiência comprovada — peça o detalhe, não a promessa.
- A agência assume algum vínculo trabalhista? Na intermediação, a resposta é não. Se disserem que sim, exija isso no contrato.
- O que acontece se eu não gostar de nenhuma candidata? A taxa é devolvida? Fica como crédito?
- Quem cuida do registro e do eSocial? Se a agência oferece esse serviço, é um custo separado — e a responsabilidade legal continua sendo sua.
Quando a agência faz sentido — e quando não faz
Faz sentido se você não tem nenhum tempo para entrevistar, precisa de um perfil muito específico e está disposto a pagar pela curadoria de alguém.
Não faz sentido se a taxa está sendo vendida como se resolvesse a parte trabalhista (não resolve), se você não recebeu por escrito o que está incluso, ou se o único diferencial oferecido é “temos candidatas cadastradas” — isso um app resolve em minutos e sem taxa.
Quanto custa contratar, na prática
Independentemente do caminho, planeje o orçamento pelo custo real do serviço. Como referência para 2026, o blog reúne as faixas por categoria:
- Faxina/diarista: em torno de R$ 120 a R$ 300 por diária, variando por cidade e tamanho do imóvel;
- Cozinheira: R$ 150 a R$ 500 por diária, ou R$ 2.700 a R$ 5.500 por mês no modelo mensalista com encargos;
- Cuidador de idosos 24 horas: de R$ 4.500 a R$ 13.500 por mês, conforme a escala montada.
Sobre o salário do modelo mensalista, lembre de somar os encargos do DAE. É essa conta — e não a taxa da agência — que define se a contratação cabe no seu bolso.
O caminho mais direto
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação jurídica ou contábil para o seu caso específico.